arte F I L O S O F I A   F U T U RA

 Estamos em novo endereço, em Florianópolis, e também na internet.

Nossas publicações e informações serão atualizadas e postadas neste portal, que está em construção.                                                                                 

 A cultura - toda arte, toda filosofia - está ligada ao projeto do livro e a Obra da leitura.


 

ATOS DE FILOSOFIA  FUTURA

CIDADE FUTURA - ORGANIZAÇÃO COM FINS AFETIVOS

06/09/2008 

 

Dobre e arraste o erre – Érrrre - de rede e redobre no Re de Re pórter; dobre a língua e a desdobre levemente no pe presente ao lado do pe ausente e o faça dançar com você, bem assim, peee com  peee, ritmamente e... manda vê!

 

- O que é que dá ?

  

rrrrReppórtttttteer...  ou Rorbeto 

 

É bom de ver melhor ouvir! Ler, então..., por José Paulo T

 

Talvez um ‘ livro por vir’que fazia muita falta entre nós, brasileiros que vivem no aquém da USP mas, e que, para a felicidade geral da nação e  minhas ‘trópicas alegrias’, em particular, veio e em breve estará nas mãos de quem pensa e ama o Brasil. 

 

Talvez ‘esse libre’ seja mesmo um ‘santo remédio’ e prova ‘si – ni- qua- non’ de que, ao contrário do que se diz por ai, santo de casa faz milagre!.

 

Só que, neste caso, sendo este um santo brasileiro, dá uma gingada na santidade e faz milagre pelo lado avesso, quer dizer, não com o santo remédio “do senso midiático comum” mas – num barroco bem brasileiro – o santo vira veneno remédio e dá a liga sem matar o um, o dois e o três (componentes) embutidos na fórmula que Wisnik encontrou para pensar o ‘reppublicar’ do Brasil.

 

Quem sabe a partir desta obra, assim desdobrada antes mesmo de vermos todos os desdobramentos que ela possa gerar, possamos ter (ou dar) um pouco mais de crédito (portanto, debitar a dívida ativa histórica acumulada) aos céticos credores de um Brasil cujo maior risco não é- como se tenta dizer verdade inconteste -  aquele medido pela linha do risco do mercado (financeiro.

 

Há um outro e muito mais importante risco Brasil que é o risco da própria autoridade (famosa ou infame, nos duplos sentidos dessas palavras rivais: o risco de perder a sua capacidade de prometer (Isto quando se tem ou se conquistou, pois não é o caso da maioria das autoridades nesta área promete [uica] – nosso ‘modo inca’ de ‘dar um jeitinho’  na promessa dada mas imediatamente quebrada.

 

Todo esse meu rococó feito por dedilhas, é para, primeiro, saudar o livro de José Miguel Wisnik, cujo título – VENENO REMÉDIO - retitrado da farmácia grega é um santo veneno remédio para nossa vã filosofia já que Reppublicar o Brasil (pensar o pensamento da política pelo público) juntando alguns clássicos do pensamento brasileiro com dois outros 'clássicos’: um, o nosso futebol – arte essa coisa (res) que brasileiro inventou e, daí minhas tropicas alegria nesta saudação à Wisnik por ter resgatado lá dos pré-socráticos seu desdobramento do Brasil a partir do futebol que, como ele mesmo diz na entrevista que deu a Folha hoje:

 

“A literatura, a música e o futebol são instâncias incontornáveis para entender o Brasil que não é para principiantes no dizer de Tom Jobim” (FSP, 17/0508).   

 

Na mistura finíssima que somente uma sensibilidade a flor da pele de si e do mundo - aquilo que, nas ideologias das massas, serve-se como massa de manobra -, neste livro, o futebol – arte que, com Pelé ‘dos Santos’ – não o das mídias - virou ‘lenda viva sem logomarca’, constitui-se, ao lado da música e da literatura, não um síntese Brasil “pra inglês vê”, mas esse poema orquestração de paradigmas mil, que se recriam nas dobras e desdobras (diria, pelas ‘incontornáveis’ linhas do Fora) forjadas nas próprias diferenças, agora sim, paradigmáticas ou por outro modo de dizer, de novo - para saudar Wisnik/Rorbeto -  idiorritmias de ritmos.

 

O leitor dever estar desconfiado desta minha dobradura étimo silábica mas quem conhece a história do Garoto Rorbeto, do Gabriel O Pensador, também sabe que, numa de suas mãos, tinha seis e não cinco dedos contados de uma vez e que, seu complicadíssimo plantel de dedilhares causou enormes problemas junto à turma que gozavam e riam daquele anacrônico defeito.

 

A gene®alidade de Rorbeto/Wisnik é, nesta complicada e difícil missão impossível de ‘explicar’ o Brasil – somente a gene®alidade – como a que temos/vemos no futebol- arte, na música-arte e na literatura-arte brasileiras – cuja ‘Bossa’ é apenas uma de nossas maiores apostas – Wisnik cita Pelé ao lado de Machado que, ao lado do mestre João Gilberto” formam – nas palavras de José Miguel “as três enigmáticas e quase inabordáveis figuras únicas” deste incontornável desafio para se conhecer e se traduzir no chamamos Brasil.

 

Mas como dizia – e de volta ponto que interessa – uma segunda e mais trópica saudação, é que todo esse dobramento de línguas e de linguagens, de composições tríades, gerativas – doublé de três, como gosto de dizer – todas essas ‘químicas’ agrupadas e coligantes  (Como minha mais novinha personagem, a Bind[1], geminha do Bond, pela arte e a filosofia sem fazer fundi do pensamento, mesmo quando fundidos num pensamento novo.

 

Talvez seja pura coincidência essa nossa - eu aqui, no interior da Casamundo, um infame qualquer – que nem conhece o professor Wisnik que certamente nunca me viu nem ouviu nada do que sou ou faço, mas, por essas coisas de destinos flechados, ao ler sua entrevista vis-lum-brei e fui tomado de uma admiração e curiosidade incontidas, tal a força de sua lança lançada que o escritor-artista soube reunir neste seu ‘contra-veneno milacuroso’ (não milagroso) dessa sua/nossa trí-composição que na exatidão do momento estamos, traçando, ele lá, eu aqui, neste projeto que considero de domínio público, o projeto escolar de futebol (Bom de Bola) e que, por essas duas novas iniciativas (com o Bom de Ler (de literatura, poesia da filosofia para formar bons leitores) e o Reppórter (isso mesmo, com ‘pe’ dobrado, como das pernas tordas dançantes de um garrincha), que ora apresento pela palavra esticada neste “bom de ver melhor ouvir” .

 

Trilha desta trilogia bem brasileira, aqui estendida por dobras desdobradas em vidas – nosso caso, crianças e jovens – juntados em genes desejantes neste ‘ver’ e o ‘ouvir’, neste querer-viver de um modo que não seja a moda mas um estilo, um querer-artista, desejosos que estão para compor suas vidas em histórias outras, e cujo esforço de composição possam, cada uma delas e essa multidão de pequenos brasileiros, a contar no ‘Bom de Bola que é Bom de Ler’ - esse ver melhor ouvir - energético vital-vitalizador, como é a  música, na sua universalidade, espécie de remédio ou contra-veneno ao cinismo midiático que domina a distancia e nos entope de ignorância pelo excesso vidiotada feitas ou trazidas em nome da cultura ou dos valores ‘supremos’ da ‘sociedade’ brasileira – a única sociedade sem socius que se conhece no mundo.

 

Mas, como meu nome não é Rorbeto, é José Paulo, deixo aqui, por estes dedos teclantes, o que brotou como repente, deste leitura instigante. Tudo que meu desejo possa, quem sabe um dia pegar o touro pelas unhas nos seus duplos – e invisíveis - complexos plexos de falta e ao mesmo tempo sobre - sob jogos de excesso e vergonha – descobrirmos juntos algum modo ou outro domar e dobrar a língua.

 



[1] Bind, do inglês, significa “coisa que liga”, fita, liga, ligadura; laço, enlace, que lembra lance, lança, como são as palavras lançadas, relançadas. (citado de Derrida, Babel, pág.41)

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