1. A política dos partidos é o regime da decadência que precede o fim.
Para se pensar O Tao da Política é preciso considerar esta assertiva primeira.
A política é a decadência que precede o fim. Não no sentido de “the end”. E mais que “finalidade” (=utilidade). Fim como um ‘estado’ ou estágio ‘um ponto final’, ‘estação de um tempo’, fim de um regime, de uma era, de um registro (histórico) ou de um acontecimento.
A partir dessa assertiva podemos pensar a Política do Tao da Política no curso da própria experiência e da instituição da política da decadência.
2. O ‘fim’ da política da decadência é a democracia como regime político.
A democracia também é o ‘princípio’ da decadência que precede o fim.
O meio - e os meios - da política são notadamente os ‘governos de partidos’.
Eis o fim, o princípio e o meio da política que precede o fim.
3. A política é a decadência que precede o fim.
Sendo o 'fim da política' a instauração da democracia, a democracia é a própria decadência que precede o fim.
A democracia é o meio da decadência que precede o fim (da Política do Tao da Política).
Sendo a política o meio da decadência que precede o fim da democracia, o princípio da política não poderia ser outro senão o da sua decadência.
4. Axiomas da antipolítica que precede o fim.
Um corpo é afetado pelo sol.
Podemos ignorar a distância, o lugar ou até mesmo a duração deste ‘afetamento’, mas não ignoramos a existência do sol, do corpo e do afeto.
Este é o princípio da minha pedagogia, ou pensamento, ou filosofia afirmativa.
É afirmativa porquê:
Parte é um. Parte é dois. (e) Parte é um inteiro que se afirma pela terceira vez.
- Há uma afirmação do sol.
- Há uma afirmação do corpo.
- Há uma afirmação do afeto.
O sol é o meio
O corpo é a metade
O afeto é o inteiro mundo.
5. Filosofia Criança
Eis porque minha filosofia é a filosofia dos atos e dos afetos. Uma filosofia futura é uma filosofia do devir. Em pequenas palavras: a futuridade de uma filosofia criança.
Essa filosofia é simples e é o complexo de alguma maneira ou de outra. Ou melhor, é simples porque é complexa e vice-versa.
Não seria complexa se não fosse simples, mas simples não quer dizer que seja fácil, nem complexa que seja difícil.
É complexa porque é afetiva e é simples porque é afirmativa.
E sempre parte de uma, de duas, ou de três ou mais afirmações.
- Há um sol!
- Há um corpo!
- Há um afeto! (do sol sobre o corpo afetado ambos em movimento a cada momento de afetação).
Desse meio metade (desse meio-metade) que resulta o inteiro mundo (dos afetos).
O sol é o meio. O corpo é a metade. O afeto é o inteiro mundo.
Do sol pode-se dizer qualquer substância outra lei da Natureza.
Do corpo pode-se dizer qualquer atributo outra forma da cultura.
Do afeto pode-se dizer qualquer modo outro sentido do existir.
Tal como Spinoza ensinou, minha filosofia parte de uma substância, de um atributo e de um modo. Infinitamente simples e complexamente imanente à um dentro e à um fora.
6. Minha Cidade agora é um portal da cidade por vir, a cidade futura
Deu o poeta, primeiro, o nome de “flor de polis”.
"Por ti Floripa", seu segundo nome: para toda vida, toda cultura, toda cidadania.
Desde então minha cidade mora comigo: "uma cidade morada" é seu terceiro nome.
Estou com ela e ela está comigo, num primeiro, num segundo, e num terceiro casamento entre a casa e o mundo, o corpo e o cosmo.
Onde estou ou para onde vou, minha cidade é o que sou.
Sou a cidade e dela fiz na/morada para a vida inteira, ponto de partida, filosofia de chegada.
7. Toda cidade é, pois, uma multiplicidade
- Uma cidade pode ser uma.
- Uma cidade pode ser duas.
- Uma cidade pode ser três.
(Queres que eu conte outra vez?)
É uma, quando nascemos ou nela crescemos.
É duas quando moramos ou trabalhamos/estudamos.
É três quando dela vivemos ou dela morremos.
Toda cidade é uma multipli/cidade. Multi-micros trans/missões democráticas).
8. Toda cidade também é uma Rede de Cidades.
Cronologicamente: uma cidade ‘presente’, uma cidade ‘passada’, uma cidade ‘futura’.
Outro modo de dizer seria, energeticamente, um dito constituinte:
Uma ‘cidade instituída’ (presente); uma ‘cidade fundada (passado); uma ‘cidade instituinte’ (futura).
Podemos saber ‘quantas’ anda ou andamos/desandamos em nossa experiência de cidade/cidadania – de na/moradores que somos – quando estamos no presente, quando estamos no passado e quando estamos no futuro da cidade que guardamos em nós.
Pois na cidade passada, somos.
Na cidade presente, estamos.
Na cidade futura, acontecemos.
9. Outro modo de pensar a cidade
Ser, estar, acontecer são os modos de viver a cidade.
Para acontecer uma cidade é preciso ‘algo mais’ além de ser cidadão desta ou daquela cidade. Depende de nosso como viver e com viver.
Pois é preciso viver a cidade na sua inteireza, como a cultura na sua beleza, e a natureza na sua infiniteza.
Este é o pensamento que tenho sobre a minha cidade.
10. Minha cidade, minha futuridade
Vivo a cidade como meu lugar vivo e cheio de vidas (lugar plural). Portanto, minha cidade (ou a sua/de cada um) é minha, a sua futuridade e a de mil outros, milhões.
Excepcionalmente tenho um triplo vinculo com a cidade:
A cidade primeira, a cidade segunda e a cidade terceira.
- A cidade primeira é onde nasci e cresci.
- A cidade segunda é a que escolhi morar
- A cidade terceira é aquela que decidi viver e morrer.
11. A “cidade futura”
É a cidade democrática, inteligente, confederada, republicana e sustentável do século 21.
Para se viver essas três cidades na sua intensidade e futuridade, é preciso criar e estabelecer uma nova distribuição de forças, de riquezas e de afetos.
Talvez a Cidade amada e vivida na sua intensidade, seja a trans-missão impossível que temos para deixar às futuras gerações.
Talvez a Cidade possa ser ‘o sintoma’ da decadência que precede o fim.
Mas certamente é o antídoto à decadência que renasce do fim.
(do livro por vir: O Inteiro Mundo, de José Paulo Teixeira. Editora Cidade Futura)
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