arte F I L O S O F I A   F U T U RA

 Estamos em novo endereço, em Florianópolis, e também na internet.

Nossas publicações e informações serão atualizadas e postadas neste portal, que está em construção.                                                                                 

 A cultura - toda arte, toda filosofia - está ligada ao projeto do livro e a Obra da leitura.


 

ATOS DE FILOSOFIA  FUTURA

CIDADE FUTURA - ORGANIZAÇÃO COM FINS AFETIVOS

 

VIRAGEM

 

 

Traduzi em pequenos versos aquilo que só as vezes a filosofia alcança.

 

Traduzi-me em breves prosas, os versos brotados da paixão que dança.

 

Eis que, desta poesia feita de ultra - passagens

 

Como raios de forças ou chamas cósmicas

 

- ou será como um fora do campo de forças que descem à terra

 

[e explodem os centros

 

Por repentes, por escansões, ritornelos

 

Explodem e chocam-se às verdades duras,

 

Ditas por vezes em palavras mansas

 

Disfarçadas em inocentes ‘representações’ eternas.

 

Destroços e fragmentos desses efeitos (feitos e desfeitos)

 

Traduzi-me num pensamento inteiro, de sócios

 

Nos entremeios e entretempos extraídos dos mesmos Atos

– mas não atos do Mesmo

 

Nos duplos emparelhados, simultâneos, pares de meios

Metades de metades. Inteiras, inteiros.

 

Revirada poética do homem que um dia sempre foi

 

Na desdobra filosófica tecida em versos

 

Que se escreve assim

 

- por repentes, por acessos, por excessos - como Viragem.

 

Vida viragem

 

Atos de passagem

 

Feito por dobras e dobraduras,

 

De pensamento matéria, de corpos espirituais

 

De dobras redobras presentes ausentes,

 

Como numa escrita sem fim nem começo,

 

Sempre por vir nos Atos por vir, no novo livro por vir

 

Escrita novinha de novo, por versos e prosas de uma filosofia vivida,

 

Traduções inscrita, cravadas em baixo relevo

 

Nesta poesia que dança

 

Nesses versos embriagados.

 

***

 

“[e] Ternos versos” compõe o fecho/desfecho de uma trilogia poética, primeiro nascida na forma de um acalanto, dos ritos primeiros nos “Travesseiros de sonhos”, seguido pelas “Trópicas alegrias” como jorradas do Fora para dentro, gentilmente, junto àqueles que substanciam suas vidas Inteiras

num fôlego só, sem nunca estarmos sóis em meio desta VIRAGEM.   

(José Paulo, de março a maio de 2008).

 

 

VIRAGEM – trilogia poesia com filosofia

 

Travesseiros de sonhos      (Márcia)

 

Trópicas alegrias                  (Júlia)

 

[e] Ternos versos                  (Maria Célia)

 


 

Poesia da filosofia

 

                                                                                              José Paulo Teixeira

                                                                                               Cidade Futura 2008

 

“Travesseiros de sonhos” engradou as “Trópicas alegrias” de minha filosofia primeira, agora em Atos e por pequenos gestor de meus afetos segundos, nas múltiplas vidas terceiras, interpostas entre pares de três e federações de ‘eus’, das três pessoas singulares, desdobrada numa quarta pessoa do singular, não mais em um ‘nós’.

 

Eis como agora as leio e revelo nestas breves palavras ou notas de uma só “Poesia” – na companhia dos [e] Ternos versos, oito prosas e meia, da mesma filosofia por vir.

 

*** 

 

Quando iniciei este projeto de entretecer e ninar ‘poesia com filosofia’, quis reunir tudo num pequeno ‘desprendimento literário’ isso que se diz “veia poeta” do artista louco que temos todos, um pouco, e, é claro, com alguma dose de intempestividade criativa que é o pensamento do Fora e o desejo Neutro.

 

Tão logo empreendi meus Travesseiros, fui tomado de paixão instituinte (astunomous orgas) que parei completamente de respirar. Foi como estivesse atravessado de cima a baixo, de dentro a fora, por invisíveis flechadas narcotizantes.

 

Ou, digo pelas palavras flechadas de Deleuze, recitadas de Melville que dissera preferir ‘ser louco a sensato’. Tal como os homens de mergulhos oceânicos, sua baleia Moby Dick, sua força arrebatadora da linha que separa a vida da morte, devo concordar que “desde o começo do mundo, os mergulhadores do pensamento voltam à superfície com os olhos injetados de sangue” (Deleuze: pág. 129)

 

           

Loucura? Euforia? Estase? - Ou luta agônica pela Vida! , pulsação vulcânica só de pensar em publicar versos despretenciosos – versos  pobres, nem nobres nem vis, mas não sem paixão - e que, uma vez mais, neste meu repente sem fim, o pensamento voa, quer dizer, navega, como nos versos também flechados de outro pescador de pérolas: ‘navegar é preciso’ ou ‘resistir é preciso’. Viver não é preciso!

 

Quem faz poesia participa de uma empresa de tal imprecisão só poderia mesmo atenter pelo nome de leitor. O leitor – refiro-me ao leitor incomum, não o leitor vulgar - é o único ser vivo capaz de conter a velocidade que nos capturas nos instantes fugidios da vida que nos escapa e já não temos mais tempo para nada quando tudo ‘nada mais pára’.

 

Neste ‘parar’ de tirar os pés do chão, de flutuar e interromper a respiração, sentí-me como se estivesse suspenso de mim e do mundo. Estranha sensação esta de ser leitor de si. Leituras de travesseiros, utopias dos que mimam o sono em desejos despertos.

 

***

 

Foi quando descobri a força [da palavra] ‘época’ – do que somos capazes quando nos demos conta de que é possível ‘suspender os tempos’ e reetabelecer o irracional equilíbrio perdido entre a eternidade da escrita e a perenidade escandida nas passagens dos tempos medidos pela genial ampulheta.

 

Na relação finitude infinitude, aprendi que as épocas em que se vive, ou podemos viver, será tanto mais intensa nos estados de suspensão da razão e do julgamento. Leve mente minha ... eleve este corpo meu. Ex-atos: suspensão de tudo quanto possa-nos aprisionar.

 

***

 

Neste caso muito particular, talvez insignificante, tudo ficou suspenso mesmo. Todo julgamento, os sinais vitais sumiram, a mente e a memória, as agendas, os prazos, os compromissos. Foi como se estivesse ‘num estado embriaguez’ - como diria Nietzsche - fora de todos os presenteísmos, os materialismos, as historicidades; naquele ato de suspensão involuntária de mim, de interrupção de tudo, de parada (cardíaca) do fôlego do mundo. Mas eu via e sentia: ainda havia a Vida ali,  no estranhamente dormente num estado outro. 

 

Travesseiros já tinham causado uma certa leveza de espírito. Sonhar era preciso. Reunir forças para continuar o sonho - ainda que sob risco de sonhar o sonho errado, o ricos dos pesadelos, dos acabamentos, dos findamentos dos tempos dados - Travesseiros tornou-se como que um desencantamento.

 

Com as Trópicas Alegrias e  [e] Ternos versos, recrio uma nova oportunidade de dissolver, de vez,  as paixões do negativo, espantar os que se nutrem da exploração das almas tristes.

 

As Trópicas alegrias são em parte desse ‘acerto de contas’ com os exploradores das paixões tristes, dos que, a todo preço e custo querem apenas cavar abismos sem oferecer nenhuma chance de proximia.

 

Os tristes trópicos continuam a solta por ai..., são forças ativas e ativos ‘sociais’ poderosos, capitalísticos, sedentos de agarrar e submeter o que possa atrapalhar suas insaciáveis dietas do baixo corporal - tão determinados estão esses abutres da com - paixão humana, em suas ‘supremacias’ e ‘posses’ (claro, a maior parte delas, às custas dos restos de rapinagem, pilhados pelo próprio expediente do aniquilamento daqueles que perderam o controle de si e dos seus - digo ‘seus’, os corpos; digo ‘seus’, os mundos, as relações, as decências.

 

Com a força da filosofia e poesia afirmativas todo meu corpo, toda materialidade, toda energia possível concentrada em mim, todos os meus tangíveis e intangíveis possíveis desmaterializaram – por revoadas de palavras e paixões fortes: é preciso espantar de vez os abutres das alegrias vitais.

 

Mas não basta a suspensão do julgamento, nem o júbilo da conquista. Tênue demais é nossa liberdade. Cuidemos bem dela! Nem devemos nos iludir acerca de nossas épocas, eras dos tempos dados, dos tempos acabativos, das declarações apocalípticas.

 

 Ainda tempos um trágico destino à frente e à sorte: como conter a ascensão da insignificância?

 

 Ó vítimas, ó algozes, como derrotá-los por este nosso querer-artista?

 

As épocas e os criadores de épocas até que se esforçam; mas a passagem do dever para o livre escolher, da moral para a ética, carece de algo mais e além do que se nos oferecem a lei e a ciência.

 

Nem as técnicas e as ciências, por mais desenvolvidas, qualquer que seja a velocidade de suas inventivas, quer atinjam os corpos, mentes e almas das pessoas, ainda que elas possam vir a preencher os espaços e atravessar os tempos - mesmo as flechadas certeiras e bem-sucedidas das Vozes da Consumação - há algo que falta e que nos faz falta.

 

Esse algo só pode ser respondido pelo querer-artista ainda que o artista seja o último dos sem-poder. Ainda resta-lhes a Vida, a última respiração, a volta à superfície!

 

Essa falta ou ausência de uma força superior – de onde o controle é feito e o poder é exercido a céu aberto - é anterior a todas as investidas.

 

Ainda nos resta alguma poesia na companhia da filosofia.

 

Uma ‘filosofia panda’ nutrida por alguma poesia fênix - não mais a coruja e os nem amigos que se amam por interesses menores. E nunca mais os sábios e sabidos que falam nas línguas tagarelantes dos sabe-tudo, que interrompem o raio da flechada que sai da boca do poeta ou da escrita do filósofo.

 

 Aqui se pode compreender o dito “ver não é falar” trazido acima das águas por Blanchot - esse dito bendito tanto mais crianças e gente grande com coração de criança dos que aprendem ainda cedo ‘ver não é falar’ como falar não é fazer. Escrever. Escrever. Escrever. Isso é Viver! - ou morrer de tédio.    

 

Como tudo na vida, duas ou três palavras postas, resumem a ópera das épocas; palavras simples ou insignificantes, como essa nossa prosa; pouco mais que dois ou três pequenos versos; poucas vezes recitados e tantas vezes mais o forem, ainda não seriam compreendidos na sua extensão e imanências transcendentes, exceto no ajuntamento da poesia com filosofia, da superfície ao abismo, da pele ao fogo do centro da Terra e deste cravado – em temperaturas mil - no coração do poeta, do artista, do filósofo – seres alados e únicos capazes de entretecer o mundo e as gentes nas mais trópicas alegrias.

 

O ‘Viver não é preciso’ no dizer do poeta é tão preciso quão precisamente compacto ato dito, lido, interpretado, milhões de vezes e, ainda assim, uma falta que fica, há.  

 

Ainda falta-nos escrever. Escrever é o ato gerativo de todas as artes, de todos os ofícios, de todos os viveres.

 

Escrever não é apenas preencher de palavras um plano, nem riscar um gráfico,  analógico ou digital, ou expô-lo como ícone ou livrografia. Escrever é dar relevo a paisagem mental que pulsa, é atiçar o pensamento vitalizador, é criar o prazer pelo desejo de dar o que pensar (e o que viver), em Atos.

 

Ver ou falar certamente preenchem ou ocupam espaços, dominam épocas, especulam lugares. O mundo se entupiu de palavras e imagens, mas elas sozinhas não completam nem compenetram os tempos por vir.

 

Somente a escrita atravessa os tempo, no livro por vir, na obra sempre inacabada do artista da palavra.

 

O livro não é apenas um ato literário ou banal - ainda que trivial e esculpido dos cotidianos; antes, é um ato de filosofia, ato de vida, ato de sustentabilidade de nossa existência-passagem no mundo.

 

Poesia da filosofia é um convite sem pedido de desculpas aos porta-vozes da ignorância com ar sabe-tudo ou desprezo pelos saberes simples ou outros que não sejam as suas verdades, as suas certezas, as suas precisões.

 

Daí porque a poesia se compõe com tanta arte e é inseparável da filosofia - como também pode acontecer com a história, com a medicina, com todas as engenharias. Todos os saberes do mundo – dos antigos aos modernos e destes aos contemporâneos – nada se compara ou contêm maior precisão de vida, fora desta composição infinita da poesia com filosofia.

 

Só o percebi naquele momento de suspensão dos tempos dados, naquela parada de tudo, como um encontro de uma nota de música ouvida de longe que se aproxima de outra, e mais outra, suavemente, intensivamente, como uma estética do encontro: a poesia musicada por paixões filosóficas. 

 

Destes versos tão banais, tão infindos versos, sempre novos, musiquei este pequeno livro por palavras senhas, mas não cifradas; filosofadas por senhas de uma composição que resiste a todas as separações e domínios, como o sabemos, tanto menos presenciais quanto mais à distancia forem tais domínios.

 

Poesia com filosofia são escritos à flor da pele, para serem estampados nos muros da vida, desentupir o mundo dos cotidianos banais, das coisas vulgares, ainda que sejam restos de um único sopro de vida, um traço de um só risco, uma nota de uma só entonação; pequena maquete de futuros que nunca será obra, dobra escondida de cantos de passarinhos e cuja poesia - filosofia possa significar a precipitação da Vida ...ao Nada.   Florianópolis, 05 de dezembro de 2007 - 03 de maio de 2008. José Paulo T.






 

Vida Viragem

 

Vida viragem

 - Pede não

Já és passagem, és canção.

 

Poema ato

Corpos, extensão

Mente, escansão

Como flechas, desejos, pulsões

Que atravessam os tempos

Deixam marcas

Destampam os fatos

Os ‘dados’, os ditos.

Num antes e depois  de gerados,

Criados, envoltos.

 

Paixão institutinte

(Astunomous orgas)

De acontecimentos vitais

- Não eventos, inventos

 

Forças, vento, fogo, fluxos

Que flambam de Vida a vida

Em ritmos loucos, o certo

Em ritornelos, o templário.

 

Idiorritmias demarcadas

 - Não idiotipias

Desenhadas por palavras afirmativas

Da Vida – Vida viragem

De um ou de dois

Múltiplos de três

Assim renascidas:

Como terceira geração por vir

Sempre por vir,

Sem começo nem fim

Apenas passagem, travessias, viragens

 

Vida viragem

Que te traduzo assim:

Neste imenso SIM!

 

 

 

 

 

 

 

Pertencimentos

 

A gente se pertença uma só vez:

 

Quando nascemos.

 

Depois disso [bem depois]:

 

Ou somos humanos

 

- Demasiadamente humanos, sois

 

Ou somos do mundo, mundanos,

 

- Demasiadamente mundanos, sois.

 

Ou nos escolhemos Outros

 

            - Demasiadamente outros, pois.

 

***

 

Precisão !

 

Ler é preciso

Viver não é preciso

 

Resistir é preciso

Viver não é preciso

 

Escrever é preciso

Mesmo sem precisão!

 

 

***

Soneto de quatro versos

 

Um poeta não perde um sentimento

Quanto mais um pensamento

Se a sua poesia voa

Nas asas da filosofia

 

*

 

 

 

Dó – ré – mi da obra

 

Dobra

Dobra a obra

Desdobra

Desdobra a vida

Desdobramento do nascimento

Deste pensamento vivo escrito

Dobras sobre obras paginadas, grafadas, esteriotipadas

Desdobradas em grafias vitais, digitais, teimosas - imortais

Desdobramentos de escritos pelas mãos dos que ficam e dos que lidam por

Deslumbramentos dos ditos e éditos dos feitos por vir em novos

Deslumbramentos inéditos desfeitos para que se possam publicar sem começos ou fins.


Amar até o fim

 

Até mesmo quando não se é capaz de amar

Aprende-se a amar

 

E neste aprender

Não há começo nem fim.

 

 

 

Obra

Desdobra

Paixão na Tradução

Arte na filosofia

Ética na estética

Comunicação - pedagogia

Política da semiologia

Escrita desta minha grafia

Desdobramentos infinitos

Do simbólico no vivido.

 

 

 

Antes durante depois

 

Antes de ler – coloque o chapéu!

Depois de ler – tire o chapéu!

Um gesto de reverência veste

E enobrece de vida a vida

- Ó leitor! E leitor!.

 

 

Durante a leitura – esqueça do chapéu

Mergulhe fundo neste encontro literário

Solitário e solidário estás

Nesta companhia amiga que sou.

 

Neste livro em que és co-autor

Antes durante depois: tu vais. Eu também vou.

Muitos outros acompanharão

E nunca mais serás apenas mais um

Nem eu mais o seu autor.

 

 


Amores de outono

 

 

Um livro é uma mulher

Uma mulher é uma paixão

Uma paixão é um afeto

Um afeto é uma força

Uma força é uma vida

Uma vida é um futuro

Um futuro é um presente

Um presente é um passado

Um passado é um caminho

Um caminho é uma escola

Uma escola é uma escolha

Uma escolha é um tratado

Um tratado é um mundo

Um mundo é um ato

Um ato é um encontro

Um encontro é um livro

Um livro é uma mulher

 

(16 de março – 22 de abril - 2008).

 


Pensar não é ver nem falar

Pensar não é ser nem fazer

Pensar é viver como viver é pensar.

Eis o que consistem os Atos

De dar o que pensar sendo esse dar

Tão-somente aquilo que se tem ou pode: vida!

 

***

 


 

O homem de Atos coloca a fala como o sexto sentido

 

Aprende a manejar todos os sentidos, a começar pela audição.

 

Este exercício leva o incitamento de primeiro grau.

 

A fala é o terceiro grau do escritor

 

E é precedida pelas paixões, as pulsões, os afetos

 

São as paixões que pulsam o corpo e a mente e fazem encadear os sentidos

 

E a fala, sempre a fala. Até mesmo quando cala. Sempre a fala.

 

Pensar não é ver nem falar

 

Pensar não é ser nem fazer

 

Pensar é viver como viver é pensar.

 

Eis o que consistem os Atos

 

Dar o que pensar sendo esse dar tão somente aquilo que se tem: vida!

 

O homem de Atos

 

É o homem-devir

 

O Homem do futuro

 

O único homem possível

 

Gerado na impessoalidade da associação

 

Na dissociação e subjetivação, vitais.

 

Na impossibilidade da socialização

 

Na impossibilidade da subjetivação

 

Dar é projetar-se.

 

É conectar-se como num encontro de vida e pensamento

 

Mas no que consiste este dar-se?

 

Qual o seu conteúdo, sua novidade?

 

Não se trata de poder, nem de saber: nem de ter ou aparecer, mas um dar-se no viver.

 

Somente duas palavras definem Atos: trópicas alegrias.


 

O homem de Atos

Devir-homem num devir-criança

O Homem do futuro – feito presente

O único homem impossível

Gerado na impessoalidade da associação

Na sociação e na subjetivação vitais.

Na impossibilidade da socialização

Na impossibilidade da subjetivação

 

 

 


 

***

 

Dar.

Projetar-se.

Conectar-se

 

 

Conectar-se como num encontro de vida e pensamento

No que consiste este dar-se?

Qual o seu conteúdo, sua novidade?

 

Não se trata de poder nem de saber; nem de ter ou aparecer - mas um dar-se no viver.

 

Somente duas palavras definem ou traduzem estes meus Atos de dar: Trópicas Alegrias.

 

 

***

Por acaso

 

Por acaso eu a vi

E abracei sua espera

E me casei com ela.

 

Meu casamento obra do acaso.

 

Apenas por acaso, meu casamento é um acasamento

Que celebro e vivo todos os meus dias e horas

Em casa, no mundo, na Casamundo.

 

Nas madrugadas que se anunciam - doces

Amanheceres seguintes e, novinhos - salgadinhos

No interior da Casamundo – nosso ninho.         

 

Tenho um caso com o acaso de verdade!

O acaso de um caso sem verdades.

Como o casamento tornou-se uma sociedade banal.

 

Que o homem já foi capaz de inventar e desmanchar num instante

Só mesmo o acaso para se ter a duração vital

Num tempo em que um casamento não é feito a dois

 

Mas de múltiplas e multidões de acasos

- de onde vem ou acontecem as maiores tristezas e solidões

 

Nessa multiplicidade de acasos que nos perturba a vida

E ao mesmo tempo a preenche de vitalidade amorosa

De forma que atravessam os tempos, resistem as brigas

 

Não importa as idades dos amantes

Que se amam, e se amam, de novo

Ao acaso, não por acaso.

 

***


 

Arte feliz

                                               (Duas quadrinhas da Júlia para Felipe e tia Márcia).

 

Arte é alegria

Uma vida inventada

Em atos que se cria

Toda hora, todo dia.

 

Ainda que o dia seja noite

E a noite apenas um sonho

De ninar teu reino um só riso

Suprema forma principesca de alegria.

 

***


 

Excitação

 

Quis a Natureza fazer de mim um experimento de excitação.

 

Um ser excitado não é apenas uma figura difícil nem um tipo impossível

Antes é um choque entre o caos e à ordem, o finito  e o infindo, o distante e o próximo.

 

Vivo no empuxo e no curso desta excitação corrente

 

Como as águas dos rios - ou dos mares - que não se contêm,

 

Ou, mesmo contidas, furam as pedras, arrebentam as camadas superiores da terra, explodem como fogo da matéria vulcânica,

 

Ou então, como num movimento de contra-empuxo,

 

Experimentam toda a suavidade do lago, do som das águas que cantam,

 

Algo próximo a uma terna gota de orvalho que toca a pele,

 

No incurso tranqüilo das águas que, inteligentemente,

 

A mesma Natureza compôs neste caos harmônico chamado humano.

 

 

***


 

Afirmar: verbo intransitivo

 

Se quiseres algo de mim afirme – chame-me pelo nome, dê conta da minha existência, da minha singularidade e de outras mais, inclusive a sua;

 

Se nada quiseres obter de mim, ou apenas aquilo que vem do baixo-corporal, do funcional, do utilitário - me negue, me use, não reconheça que existimos.

 

Pois é preferível o anonimato e morrer sem nenhuma assinatura no mundo, que viver apenas desse nada ou vontade de nada de significação contida nessa sua contabilidade vulgar.

 

 

***

 

Dúvida na certeza poética

 

Resistir é possível. Viver nem é preciso.

 


Grife-filosofia

 

Antes da marca

Depois do conceito

O querer-agarrar invade a tudo:

O planeta, o homem, a casa, o mundo!

 

Grita-lhes!

Grita-lhes!

 

Como lhe fazer resistência

Se tal ‘querer’ violência e cruel se acompanha do Nada

Da marca que nos domina a distância pela ausência:

O nada da marca e da moda senhora de sua aparência!

 

Resta-lhes!

Resta-lhes!

 

Quereis submeter mesmo sua Vida à estupidez?

Vida que tudo vira nada, vida vira nada

Nisto uma só uma receita certa é aceita:

Uma só dieta de vida perfeita!

 

Dar-lhes!

Dar-lhes!

 

Devolva-lhes em pétalas gentis

Ainda restam-lhes as valentias juvenis

Sua contraforça da grife-filosofia desta poesia nascente:

Palavras poderosas quiçá proféticas de um poesia feliz!

 

Devolva-lhes!

Devolva-lhes!

 

Coloque-te no teu devido lugar ao chão do reino

Enfiais o teu rabo no próprio veneno

Não sois mais que um réis de vintém

Cujo viés dominai apenas quem lhe convêm!

 

Agarra-me!

Agarra-me!

 

Ou morremos todos de excesso de vida!

Ou vivemos dos tormentos da morte!

Antes da palavra

Depois da marca.

 

Responda-lhes!

Responda-lhes!

 

Praticai e exercitai sempre que puderes

Esta que agora é sua grife-filosofia:

Só não lhes diga amem! Amém!

Diga-lhes: amor! Amoor!

 

Ata-me!

Ata-me!

 

 

***

 

O espírito da matéria

 

Tudo que sou é pensar. Tudo que penso é o que sou.

 

Pensar é tudo que sei. Tudo que sei é pensar.

 

Nada que sou e sei é pensamento, sós.

 

Tudo é nada mais que matéria do pensamento, juntos.

 

Eis um outro modo de dizer do espírito da matéria

 

E de poder criar a matéria do pensamento.

 

***

 


Objeto defeituoso

 

Fui feito para pensar.

Eis também o meu único defeito.

 

***

 

O meio, a metade e o inteiro

 

Insensato ato de pensar

 

Esse meu desejar Inteiro

 

Quando tudo pede apenas o meio

 

[- ambiente]

 

Ou conforma toda sua existência

 

Numa metade ausente.

 

***

 

Desvios

 

Insensata Diferença que faz de mim esse mais um desencaminhado da vida.

 

***

 

Abismos

 

Fiquei abismado, fiquei de cara!

Não sabia onde esconder toda aquela vergonha

Como no dia que, inadvertidamente,

Pedistes-me em tom inocente: fique de fora.

 

***

 

Falar é viver

 

Falar ou morrer – eis o grito incontido do poeta morto

Morrer ou viver – eis o grito estampido do poeta vivo.

 

***

 

Uma vida por vir

 

Não se vive nem se morre de uma vez

Morremos ao longo da vida.  

Como vivemos por dentro de outras vidas.

Múltiplas vidas

Mortes múltiplas

Não vidas seriais

Nem mortes seriais

Seria banalizá-las demais.

Cada morte e cada vida são únicas.

Eis o paradoxo da existência: morre-se mil vezes numa vez só;

Vive-se milhões de vezes, numa vi [r] agem que nunca é só

Sempre em suas companhias

Como num ir e vir do poema inacabado que o poeta apenas pensou

Como num nascimento/morrimento cujo nome atendemos pela palavra Vida

Uma vida, muitas vida, por vir.

 

***

 

Da liberdade de expressão à expressão da liberdade

 

Ir

Vir

Virá

Revirar

Uma vida

Uma viagem

Sem pedir passagem

Tão-somente VIRAGEM

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EM MO (VI) MENTO

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Estamos construindo a Plataforma Atos da Cidade Futura. Os temas, vídeos, fotos e textos relacionados aos projetos culturais e sociais educativos para e com crianças e jovens - e apoiados pela Cidade Futura - estão sendo disponibilizados na Rede Repórter ( httt//plataformaatos.ning.com ).

Neste novo portal - ATOS de FILOSOFIA FUTURA - queremos destacar iniciativas e conceitos de interesse de Filósofos Artistas Escritores Ativistas Educadores que desejam contribuir nesta Plataforma Atos e/ou nas suas criações ou participações. A participação de novos integrantes é feita por convite.  

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