"O amor é o contato de duas poesias”  Bachelard                                                                                                          CIDADE FUTURA - ANOS XII ao XXII

                                                             

 

As DozeTeses são um esboço, um desenho para pontuar alguns temas-desafios que possam contribuir para a reforma da qualidade na política e a mudança da cultura no Brasil.

 

Para a versão do coletivo autoral, imaginei um texto publicado na forma de um pequeno caderno - como aquele das 11 teses da autonomia, lembram?  Caderno teria duas partes: "Nem Parece Cultura" - que destaca os temas da modernidade (1922-2022) na perspectiva da futuridade (novo 22 de terceiro milênio), e "Nem Parece Política", onde estão os temas-âncoras para a discussão.

 

***

É possível que tenhamos outros ‘temas aplicados’ e ligados aos temas-âncoras. Por exemplo, no ponto 9 ('Política antes; partido depois'), caberia a discussão sobre o estatuto do 'voto obrigatório" ou “voto livre”; do voto universal ou do voto qualificado; no ponto 3 (Das maiorias e minorias), a questão da justiça e da equidade poderá se desdobrar em sugestões práticas-programáticas, d etal modo que tudo possa integrar numa plataforma de rede, complexa, plural.

 

Ou seja, alguns temas-âncoras, em parte ou no todo,podem ser modificados e/ou desdobrados em outros pontos para atender a diversidade de questões – dúvidas ou sugestões - que certamente poderão surgir no/s Grupo/s.

 

Lembro que é possível a formação de novos grupos, com saídas e entradas livres de pessoas, que inicialmente participam e depois perdem o interesse.

 

A perspectiva interpartidária, transvalorativa e transgeracional das DozeTeses e da Plataforma Atos da Cidade Futura (Nem Parece Política – Nem Parece Cultura) é sua principal força e, também, sua fraqueza. Segue um resumo para quem quiser e puder prosseguir .

Abraços, José Paulo Teixeira

 

Nem Parece Política

O processo de elaboração das DozeTeses

A idéia é que possamos, até 2012, é marcar o dia 22 de cada mês, com reuniões, encontros, seminários, círculos culturais para juntos conversarmos - propor, escrever, publicar, convergir ou discordar - mas principalmente afirmar a necessidade de um reforma da qualidade da política no Brasil.

 

Que possamos constituir um Grupo inicial de 22 participantes-associados (na Plataforma Atos), interessados na elaboração das DozeTese e/ou no grupo nacional, estadual e/ou municipal que vier a ser formado ao longo deste período preparatório.

 

Ao final dos debates, integrantes desse/s grupo/s talvez possam assinar juntos as Doze Teses para Republicar o Brasil.*

 

Re Publicar no sentido mais simples e amplo da palavra, seja, que posamos focar nossa atenção em pelo menos três pontos importantes na formação de uma República Democrática Autônoma. O RES da República: R = Riqueza (outra escala ou hierarquia de valores); E = Educação (a educação como o coração da democracia); S = Saúde (saúde em tempo integral).

 

E o Brasil a ser pensado e transformado, possa ser governado a partir das Cidades, com base nas três ecologias (ambiental, social e mental).

Se as teses forem apresentadas para as eleições municipais de 2012, a idéia do processo é integrá-las numa Rede de Cidades ou iniciativas como “Nossa São Paulo”, “Cidades Inteligentes”, “Cidades Saudáveis” ou como dizemos na Cidade Futura, “Cidades Constituíntes”.

 

Essa plataforma talvez seja importante para um projeto de Refundação da Política e talvez para uma alternativa em  2014, sempre na forma de um esboço de plataforma político-cultural,  mais que político-partidária ou eleitoral.

 

Que as teses possam servir para aproximar ‘cultura e natureza’, ‘economia e ecologia’, ‘polis e paideia’, ‘a República’ e o ‘Brasil’, revestindo de qualidade a Política, e de vida, a Cultura. Razão pela qual tenho enfatizado  que a reforma política seja acompanhada pela mudança da qualidade na política, a começar pelo valor da Palavra. E que as teses possam ser pensadas 'de dentro' e 'de fora' de nossas casas e causas, sejam elas “republicanas”  e/ou “ambientais”, “democráticas” e/ou “autoinstituintes”. Segue o resumo para leitura e sugestões:


1. Sobre o modernismo tardio do Brasil

A primeira tese a ser defendida é a da modernidade afirmativa e alegre – ecomodernidade, mais eco-trágica que eco-lógica. Tal conceito de modernidade que fazer da diferença e da equidade as mais trópicas alegrias, forças da potência de vida afirmativa e capazes de mudar o Mapa do Brasil Medíocre – responsável com o que temos de “modernidade do atraso”, que começa pela idéia e prática da representação medíocre e grosseira, plástica e postiça, da própria legitimidade ou sustentabilidade que diz ‘defender’ ou ‘encarnar’.


Diferente, alegre e afirmativa, independente e federativa, ainda que tardia, a nova modernidade firma o encontro da natureza e cultura enxertadas, não mais pelo ‘ambientalismo globalista’, mais 'regado' por ‘políticas compensatórias’ que por ‘fogos locais’. A marca da nova modernidade reencontra o país com seus interiores, seus povos e cidades com suas florestas e desertos, as terras com as águas, os ares com os fogos e erigem os diferentes estados da polis e os alicerces da República.


2. Do eco-lógico ao eco-trágico: eco#s da Diferença


Na próxima dúzia de anos – 2010-2022 - talvez possamos apresentar uma política do futuro e transformar a instituição partido numa Vontade política afirmativa, que se traduz na passagem do ecológico - fundado nos valores cristãos e democráticos– ao ecotrágico (sustentado na existência alegre e afirmativa da Vida e dos valores da vida – não vida dos valores).


3. Maiorias e minorias (vanguarda/massa; elite/povo)


Repensar esses conceitos e a visão que temos deles. Ainda concebemos as ‘minorias’ e as ‘maiorias’ sob a lupa da modernidade do atraso. As minorias não são uma conta numérica, mas uma ‘qualidade de luta’ ou ‘força de criação’.

Somente as minorias são criativas. As maiorias são ‘copiativas’. As primeiras, primam pela qualidade de vida, pelo valor da novidade, da mudança, da transformação. É isso que separa ‘um povo que cria’ de um povo que apenas transcopia. ‘Somadas’ as maiorias e “enquadradas” as minorias pelo atual sistema de poder político  (mercantil-midiático-estatal), estabelece-se uma média do ‘pensamento medíocre brasileiro’. Midiático, se ‘interneteiro’; anticomunicativo, se hierarquizado; gregários e segregados quanto mais massificados.


4. Da miséria da política (ou miséria da filosofia)


A miséria da filosofia reflete a miséria da política, e vice-verse. Nossa fraca distribuição de afetos, de forças e de riquezas, diminui a potencia de existir, tanto mais a de conservar e de conversar. O resultado é a diminuição da força da República federativa, da participação viva da cidadania – restrita à “mutirões cívicos eventuais”,  convenções de fachada, mudanças que não mudam, conceitos que não criam, valores que vulgarizam, escolhas de vontades e decisões para tudo ficar como está, como se fosse decidido.

[Junto com as práticas tirânicas - que vai da intimidade à publicidade -, nota-se a ausência de hospitalidade e de trocas afetivas e fraternas. A sagração do agradar e do captar – aspectos da mesma indigência política e filosófica -, está mais próxima do vulgar quanto mais distante da nobreza que dá ‘excelência’ ao que é ‘bom’ e/ou torna ‘bom’ o que é ‘pior’. A miséria da “política para políticos’ é o marco conceitual eco-conservador que grassa em nosso meio, entre os resistentes criativos e inovadores que se encontram, e se desencontram, pelo país afora e o partido adentro.


5. O Mapa do Brasil Medíocre (esforço de passagem da crítica à clínica)


Ao se incluir nestas teses o tema da mediocridade - e suas moradias em casa ou na instituição partido, na sua circulação pelas ruas ou gabinetes públicos, nas cidades e nos campos, que atravessa mares, montanhas e sertões – pretende-se um exercício de aprendizagem e aproximação , um diagnóstico ou leitura dos sintomas que travam a qualidade de vida e os valores da república, de nosso desenvolvimento humano e sócioambiental. Que o ‘Mapa do Brasil Medíocre’ seja nossa vergonha sem descaramento ou mascaramento, o quê de dignidade que temos, ou nos resta, tanto na vida pública quanto na esfera privada nesta ‘sociedade sem sócios’, ou de agregados, desagregados, segregados.


Traçando-se o mapa, abre-se a possibilidade ou exigência de outra potência de vida e de destino, das gentes e do país. Possibilita mudar o que trava e o que somos capazes - no sentido de criar outra dieta de vida presente e de vida futura, outra forma de representação pública e caminhos novos à  participação política e cultural nas cidades e nas instituições da República.


6. Ecocandidaturas e regime de votos no Brasil


Num país onde as eleições acontecem a cada dois anos, trabalhar com afinco num movimento cívico de formação e desenvolvimento de campanhas culturais de qualidade – as ecocampanhas – visão a formação de uma nova geração de líderes e de eleitores, qualificados na qualidade ética, na exigência estética e na dignidade de caráter dos governantes e legisladores, e dos próprios eleitores.


Aqui o tema da educação e da cultura política, junta-se ao da cidadania, de modo que possamos transformar cada eleitor num leitor (leitor-e-leitor), e cada filiado (num partido ou associação) num associado (=sócios); cada representado num responsável pelos seus representantes.

Com as ecocampanhas damos o valor devido ao rito eleitoral democrático, ao espaço ‘vazio do poder’ e, nos processos eleitorais possamos eleger os melhores para as diferentes responsabilidades públicas, sejam elas legislativas, executivas ou judiciárias.


7. Palavras partidas, palavras doentes (a palavra da mídia e a palavra de vida)


As armas brancas do negativo ferem o ser da cultura e o cidadão da república. As promessas não cumpridas, as palavras dadas e imediatamente quebradas, todo uma rede de compromissos que cobre, de cima a baixo, o sistema político, social e partidário. O início da corrupção começa com a corrupção das palavras (desenvolver melhor).


8. Novo federalismo para republicar o Brasil


O Brasil tem dimensões territoriais que somente um federalismo dinâmico e fortalecido, a partir das cidades e regiões, será transformado.

Os temas da divisão dos poderes – que chamo ‘estados da pólis’ – impactam na vida de milhões de pessoas, em todas as áreas da vida social. A educação e a saúde, a segurança e o desenvolvimento, todas as agendas públicas, sociais e privadas atravessam o pacto federativo. Também podemos destacar o encontro das cidades com as florestas, a ‘capital’ com o chamado ‘interior’, as questões urbanas e as rurais, todo o debate sobre território de poder e forças locais, nacionais e globais.

 

9. Política antes; partido depois


A política antes do ser ou apenas política do aparecer? O partido do poder ou a parte do destino que a cada um se pode desenvolver? A questão da relação e da responsabilidade da Política e com a Política, com a sociedade civil, sua autonomia, sua liberdade; a questão da filiação e das alianças (os diferentes tipos de alianças, eleitorais ou existenciais, de governo ou de vida); enfim, todo o tema da dependência e da soberania, da tomada de decisões e da participação nos processos decisórios, de delegação e de afirmação da cidadania, justiça e equidade.


10. A ética da alegria


Talvez a Juventude possa em sua liberdade e rebeldia, em sua alegria e maneirismos, nas suas boas campanhas e melhores companhias, fazer da ética da alegria nossa tese ‘cheia de vida’, de tudo quanto sonhamos e acreditamos nesses anos todos: seja o tempo de uma estação; os sonhos de uma existência; a era de uma geração; a história de uma civilização.


O tema da ética (a ética que começa em casa e ocupa os espaços da rua e da cidade), atravessa as instituições e

as organizações civis, sociais, religiosas, militares, políticas, empresariais, outras. Mesmo os lugares de pouca privacidade, aqui coligados às teses da ecomodernidade juntada à estética e a equidade - além da economia, da política, da identidade, da escola e universidade.


11 – As três ecologias e outros destinos


Uma ética da alegria fecunda toda vida, toda cultura, toda cidadania que se expressa nas três ecologias, a ecologia ambiental, social e mental. Tripé das existências, dos dramas e degradações éticas e humanas das alegrias trópica, são forças que entristecem (tristeza= que diminui a potência do existir) os trópicos brasis e as trópicas alegrias, dos daqui e dos de lá, tudo que irá fazer ecoar ou silenciar na suas presenças ou ausências, a força e a fraqueza, a seriedade sofrida e o bom humor brasileiro; os grandes temas do ‘aquecimento global’ inseparáveis das questões do ‘esquecimento global’, o clima e a memória, o presente e o futuro.


12. Fundar um futuro


Um outro futuro é possível, mais impossível, ainda!, tanto quanto o partido e a política, se refundada não for o seu programa, sua senha, sua sina, sua meta, sua bandeira, o empreendimento que lhe dá cor, tom e sabor, que cria, gera, traduz numa plataforma sustentada, admirada, transformada.


Um futuro é mais que um partido ou um programa, uma estratégia ou uma plataforma – o futuro é um sonho e é uma transformação, é uma criação e é uma paixão instituinte - e constituinte – ainda que constituída seja sua formação.

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Iniciado por José Paulo Teixeira 15 Jan. 0 Respostas

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